duo

 

Naquele dia, ele mudou a posição da mesa da copa. “Quero a luz desta janela”. E a partir de então o solzinho do final da tarde invade a mesa para o café deles. Ela ficou encantada com o aconchego que a luz deu ao ambiente. “A nós dois”. Aquela iluminação preguiçosa, que abraça o dia que está chegando ao fim.

– Incrível perceber que pequenas mudanças podem simplesmente transformar a rotina para melhor

– Eu sei, meu amor

Ele fala amor com uma calma que a coloca no eixo. A sonoridade puxa a moça para a terra sempre. Ele consegue entender todo o caos que o coração dela carrega. “Você é uma verdade destrambelhada”. Ela ri. Acha graça. Se lembra do casamento e de uma das tantas frases que trocaram naquele dia lindo. “Te coloco como selo no meu coração”. É uma frase bíblica adaptada. Ela tem fé. Ela tem muita fé.

Uma fé no amor. Uma fé no homem que escolheu para dividir a vida. Ela teve a certeza deste companheirismo no dia em que levaram o menino na festinha. Ele, precocemente, descobriu o sabor delicioso da independência. De dormir na avó, de passear com amigos sozinho. E os dois ali, o levando e buscando. Os dois, cúmplices de que restarão eles. Juntos.

E tudo pareceu fazer sentido. Ela pertence ao mundo de alguém. Foi na mesa do café que ela percebeu a imensidão das escolhas. Foi ali, com aquele sol todo, escutando a prosa delicada daquele homem que ela chama de seu.

 

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